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A questão mais importante da humanidade nesse momento

Há problemas de sobra no mundo. Todos os dias, a qualquer hora, basta ligar a TV ou acessar um portal de notícias ou mesmo uma rede social para receber uma avalanche delas. Corrupção, ascensão do autoritarismo, crises econômicas, guerra, doenças, violência de todo tipo, ameaças de futuros tenebrosos, yada yada yada.

É óbvio que essa rotina nos gera agonia. Mesmo sabendo que são questões que afetam o mundo, todos nós queremos ajudar de alguma forma. Porém tudo é tão caótico e bagunçado que mal conseguimos entender o que está acontecendo, muito menos fazer alguma coisa. Rezamos para que exista um amanhã, que ele seja melhor e que nós possamos ficar em paz.

Ano após ano, nossas preces são atendidas e mergulhamos diariamente em um caos cada vez maior. O que fazer? Já que a solução cabe a nós mesmos, talvez seja útil pensar em qual problema é mais importante e devemos focar primeiro e assim melhorar a vida.

Ouvindo as minhas meditações, cheguei a qual é a questão mais básica para a humanidade resolver no momento. 

E a questão é…

(rufem os tambores)

parar com a criação de animais para o consumo humano (carne, leite e ovos)

Talvez quem me conheça não esteja surpreso com meu apontamento. Mas eu mato a cobra (de soja) e mostro o pau. Então seguem meus argumentos:

1 – É um assunto dos que mais evitamos saber a respeito

Começarei sendo bem junguiano: aquilo que mais precisamos está onde menos queremos olhar.

Somos atingidos por todo tipo de violência diariamente. Temos a capacidade, com tristeza e indignação, de nos informar de detalhes de casos absurdos de violência entre humanos, seja uma chacina, seja um feminicídio. Isso sem falar no nosso próprio entretenimento, que é uma grande porção de violência em si só.

Porém, ameace mostrar para alguém a situação de um abatedouro. Ou animais sendo utilizados como cobaias para produtos supérfluos, como produtos cosméticos, ou galinhas em granjas, amontoadas em gaiolas A resposta é quase sempre a mesma. “Ah, não. Não gosto de ver isso não.” 

Então qual a diferença? É que enquanto um crime de assassinato parece algo distante moralmente de nós, porque julgamos ser feito por pessoas problemáticas, da violência com animais nós somos cúmplices e fiadores. Este conhecimento não queremos adquirir porque ou irá nos injetar culpa ou nos obrigar a mudar nossos comportamentos confortáveis.

2 – É a própria definição de ser humano

Lembro o quanto fiquei chocado ao ver na TV a jornada das ursas pardas após terem filhotes. Estando no topo da cadeia alimentar, teoricamente elas não teriam que temer nenhum tipo de animal… exceto os próprios ursos pardos machos. Se lhe é dada a chance, os machos frequentemente matam os filhotes, pois uma fêmea sem filhotes rapidamente entra no cio novamente. 

Nós, como humanos, somos (um pouco) diferentes. Tentamos cada vez mais elevar nosso lado instintivo animal para vivermos em sociedade, com o mínimo de decência e compaixão. Apesar de todo nosso longo histórico de violência, houve uma evolução na barbárie que já fomos um dia. Mesmo que o caminho seja longo e nossos passos de formiga e sem vontade (e muitas vezes moonwalking) estamos tentando construir uma moral mais elevada.

Estamos nessa caminhada porque somos animais que conseguem refletir se algo é certo ou errado. Conseguimos analisar nossas ações, conseguimos nos colocar no lugar do outro, se quisermos. Como diz o Valter Hugo Mãe, a humanidade não é uma obra acabada. Ela está em construção. E depende de nós, para construirmos a humanidade, refletirmos sobre nossas ações.

A questão do consumo dos animais exige o mais alto grau da reflexão humana porque toca em um pilar básico do nosso lado primitivo: prazer. Carne, ovos, leite fazem parte da nossa alimentação e essa é uma das fontes primárias de prazer.

Eu tenho refletido muito sobre prazer e sua capacidade de nos prender a comportamentos que racionalmente não queremos. É uma questão muito complexa que merece um texto de reflexão só pra ela, pois não se trata de condenar o prazer. O que posso falar aqui de maneira simples é que há mais de um tipo de prazer. Por exemplo, eu posso sentir prazer em ter algo. Mas também posso sentir prazer presenteando alguém. Na minha reflexão e experiência, a segunda situação ultrapassa a primeira em intensidade e duração. É um tipo de realização de saber que está fazendo algo bom, em poder reconhecer a bondade em si mesmo. 

3 – Muitos problemas se conectam a esse

A questão da criação e do consumo animal é básica porque está profundamente conectado a diversas questões de sobrevivência da humanidade.

Epidemias como a COVID19? Tem muito menos chance de acontecer se diminuirmos o consumo de carne

Aumento populacional? Se usarmos os pastos e culturas de grão para ração (soja, milho) para outras plantações, iria sobrar alimento já que 83% dos campos cultiváveis são destinados a carne e elas correspondem a apenas 18% das calorias que consumimos. 

Mudanças climáticas? Parar de comer carne é a ação isolada mais significativa que podemos fazer.

Secas? A criação de animais é um dos maiores consumidores de água potável, além da questão das florestas. 

Colapso da biodiversidade? Conseguiríamos manter as florestas em pé e com muito espaço para reflorestamento. 

Doenças ameaçando a humanidade? Uma dieta vegetariana/vegana reduz drasticamente a incidência de problemas no coração (principal causa de morte em humanos), câncer e diversas outras doenças;

Enfim. Sei que enquanto escrevo aqui nesse dia frio e seco, falo comigo mesmo (até alguém comentar alguma coisa), mas acredito que são argumentos muito fortes. Falo isso sem corar, pois essas ideias nem saíram da minha cabeça. Muitas pessoas já tem falado o mesmo há muito tempo e minha função aqui é só ser mais uma via para esse conhecimento chegar até você.

Agora é com você. Momento de atenção! Vou te oferecer a pílula azul e a vermelha. Com nosso nível de concentração mental esses dias, você sabe que se você abrir seu Instagram agora e ver 40 minutos de memes, você consegue esquecer completamente esse texto. 

Algumas pessoas acham que mudar de país é um ato de coragem. Que mudar de emprego ou carreira é um ato de coragem. Que mandar o chefe ir pastar é um ato de coragem (talvez esse exija mais coragem mesmo). Até mesmo mudar de cabelo para alguns é um ato de coragem. 

Mas essas são apenas coisas exteriores, individuais, feitas para nós mesmos. Não criam nada além de fissuras em quem somos — às vezes importantes fissuras , mas continuamos praticamente intactos. A transformação do mundo interior, porém, requer coragem real. O resultado dela é imprevisível. Mudamos como somos e como impactamos o mundo, se geramos alegria ou sofrimento para os outros. Por isso é comum encontrarmos os sentimentos clássicos de quando aparecem mudanças importantes: resistência, medo, ira, preguiça, adiamento.

Se você aceitar, segue algumas referências importantes para aprender mais sobre o assunto e aumentar sua inspiração para enfrentar esses sentimentos. Só assim podemos melhorar o mundo para nós e para 70 bilhões de animais (só terrestres) por ano. 

Para assistir no Netflix:

Seaspiracy – Documentário muito importante sobre a questão dos oceanos.

Cowspiracy – Estou colocando aqui por ser um clássico, mas não assisti.

Nosso Planeta – Série documental maravilhosa sobre a natureza, com pequenas inserções sobre os problemas que enfrentamos.

Rompendo barreiras: nosso planeta – Documentário fundamental que mostra os principais fatores que mantêm o equilíbrio do nosso planeta, o nível que estamos e o que podemos fazer para preservar o planeta. 

Dieta dos gladiadores – Não assisti, mas muitas pessoas que são ligadas em esportes e na importância da saúde do corpo recomendaram.

A carne é fraca – Documentário brasileiro, também é um clássico. É antigo, mas você pode achar no YouTube.

Terráqueos – Mais um clássico antigo que podemos encontrar no YouTube

Receitas vegetarianas — para quem quiser fazer uns pratos da hora:

Vegetarirango – Receitas veganas – https://www.youtube.com/user/vegetarirango

Presunto vegetariano: https://www.youtube.com/user/PresuntoVegetariano

Marilia Archangelohttps://www.instagram.com/mariliaarchangelo/

Pensando ao contrário – https://www.instagram.com/pensandoaocontrario/

Influencers de outros tipos

Paru Vegan – Fisiculturista vegano – https://www.instagram.com/paruvegan/

Rafaela Mold – Nutricionistta – https://www.instagram.com/nutricionistarafaelamold/